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Com um ‘museu’ em casa, baiano vende antiguidades com valor abaixo do mercado

Há itens do séc XVII em perfeito estado sem nunca ter passado por restauração

Para os amantes de antiguidades, andar pelas ruas do centro da cidade de Salvador em busca de antiquários pode ser uma experiência e tanto, não é mesmo? Mas e se a gente disser que é possível achar todos esses itens fora de um antiquário? E melhor, com preços ainda mais em conta? Pois é, essa realidade quem traz é o vendedor de antiguidades Douglas Sales, que decidiu vender milhares de peças antigas dentro da própria casa.

Em conversa com o bahia.ba, o servidor público e empresário de 59 anos contou que acumula objetos da Arte Sacra, cristais, porcelanas, pratarias, santos, mobília e outro itens. No local, que parece um verdadeiro museu, é possível encontrar itens do século XVII, XVIII, XIX e de marcas prestigiadas, tudo isso com valores mais em conta do que os preços de mercado.

São José de Botas 1,15 cm - 12 mil / Foto: Leilane Teixeira
São José de Botas 1,15 cm no valor de R$ 12 mil. Foto: Leilane Teixeira / bahia.ba

“Aqui os valores variam entre 100 reais  a 15 mil. Temos coleções de louças da Limonge, uma fábrica de porcelana francesa bem conceituada. Há cristais da Saint Louise, piano baby, vasos da Murano e Potiche, oratório, quadros alemãs, muitos santos da Arte Sacra, paliteiro e muitos outros objetos direcionado para cada gosto. São todos bem conservados e sem nunca terem passado por reparos, o que gera mais valor aos objetos. O São José de Botas de 1,5 cm por exemplo, costuma ser 15 mil. Aqui eu vendo por 12 mil”, contou.

As promoções feitas por Douglas não param por aí, na sua casa é possível encontrar conjunto de chá japonês por R$ 2 mil. O Busto de Argila da Grega Romana, esculpido pelo artista Davi Magalhães, sai por R$ 5 mil. Já o santo Antônio trabalhado na escama é vendido por R$7 mil. Na faixa dos R$100 reais, há mini biscuits, santos em tamanhos menores e peças pequenas de marfim.

Coleção e história

Nascido na cidade de Amargosa e colecionador de arte e antiguidades ao longo da vida, Douglas contou que tudo começou a partir de uma herança da mãe, que era descendente de português e veio mantendo uma tradição passada de geração para geração.

“Minha mãe era descendente de português, então quando ela faleceu deixou tudo que tinha neste acervo em testamento para mim. Foram itens que ela já tinha de família, que os pais dela trouxeram de Portugal. Quando ela se foi, eu decidi que iria começar a fazer disso um negócio. Comecei a viajar indo para Minas Gerais, Rio de Janeiro, Petrópolis, e outras cidades do Brasil para poder garimpar. Comecei a me dedicar no mundo antigo. Eu saia dia de sábado e voltava domingo já trazendo vários itens novos, como móveis, santos, coisas de cobre, tachos portugueses e demais objetos para complementar os que eu já tinha de herança”, disse.

Valor agregado

O valor das antiguidades obedece a certos padrões fixos, como o material, o estado de conservação, marca, procedência, idade e raridade. Ou seja, ser antigo, nunca ter sido restaurado e não ter defeito.

“Tem muita gente aí que se diz vender antiguidade mas falta mão, olho, orelha. Para mim, a antiguidade tem que levar em conta a perfeição da peça, e é isso que as minhas têm. Além de estarem mais acessíveis financeiramente falando, a maioria são bem antigas e mesmo assim estão em perfeito estado e sem restauração. Se uma antiguidade  falta algo, se torna resquício, não antiguidade. Uma louça quebrada para mim não tem valor nenhum. Como eu disse, o valor está na perfeição, conservação e beleza dela”, diz Douglas, que trabalha com os produtos há 35 anos.

Além disso, outros fatores subjetivos podem influenciar no valor final das peças. Um objeto simples, modesto, pode ter um valor sentimental gigantesco.

“Antes de decidir me desfazer dos itens, eu tinha muito apego a vários deles. Por isso vendia mais caro do que o estipulado ou então nem vendia. Me apegava pelo valor sentimental e familiar. Mas hoje, por causa de planos futuros, todos aqui estão à venda”, pontou.

Vendas e planos

Par de biscuit francês - R$ 5 mil
Par de biscuit francês no valor de R$ 5 mil. Foto: Leilane Teixeira / bahia.ba

O valor disponibilizado abaixo do mercado por Douglas tem explicação: ele pretende encerrar o trabalho com antiguidades e investir na vida rural. Além disso, segundo o servidor público, não ter um antiquário e vender os itens dentro de sua própria casa possibilita que haja uma redução, pois, segundo ele, “não há necessidade de pagar impostos com a locação de espaço, além de ser mais seguro e evitar roubos devido aos itens de alto valor agregado”.

Em um antiquário, um par de biscuit francês de maior espessura sai a 8 mil. Em sua mão, Douglas vende por 5 mil. Outro item muito procurado pertencente a Arte Sacra é a Nossa Senhora da Conceição com coroa de prata. Na loja, o produto é vendido em torno de 7 mil e ele repassa por R$ 5 mil, mesmo sem nunca ter restaurado.

Opções são o que não faltam nesse “museu” em casa. E quem tiver interesse em adquirir os itens, pode entrar em contato pelo whatsApp 71 99119-5956 ou através das redes sociais @antiguidade_salles (Instagram), Antiguidades Salles (Facebook).

 

 

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