Brasil

Censo pode ser adiado se IBGE tiver de incluir questão sobre orientação sexual

Instituto alega que mudança em questões pode aumentar custos do levantamento

Em novo comunicado divulgado nesta quinta-feira (9), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) alegou que, a menos de dois meses do início da operação do Censo 2022, “não é possível incluir no questionário perguntas sobre ‘orientação sexual/identidade de gênero’” e que, se tiver de incluí-las, adiará o Censo 2022. O instituto considera esta como “única alternativa possível”. A manifestação é em resposta a decisão da Justiça Federal do Acre, que determinou, na última sexta-feira (3), a inclusão da temática.

De acordo com o IBGE, a medida da Justiça pode resultar em impactos financeiros para o Instituto e qualitativos para as respostas ao questionário – já que a alteração dos sistemas do Censo, “põe em risco considerável toda a operação censitária”. O comunicado afirma que o aumento de custos de recursos federais pode chegar em cerca de R$ 2,3 bilhões.

“O IBGE fez no ano passado os testes de homologação dos sistemas – tudo completamente e devidamente pronto. A avaliação dos técnicos responsáveis é que alterar esses sistemas agora, para inclusão intempestiva, põe em risco considerável toda a operação censitária”, escreve o instituto.

Explicando que cada pergunta do Censo deve ser respondida individualmente, o IBGE alega que a inclusão de perguntas sobre orientação sexual e identidade de gênero irá mudar a metodologia e aumentar a necessidade de revisitas. Além disso, o órgão aponta que a decisão é ignorante da complexidade da aplicação do Censo.

“Inserir tais quesitos em um Censo Demográfico, em cima da hora, sem prévios estudos, testes e treinamentos, seria ignorar a complexidade e o rigor de uma operação censitária do porte continental da brasileira – cuja discussão e elaboração dos questionários e sucessivos planejamentos e preparações se iniciaram em 2016”, afirma o IBGE.

Em relação à inclusão de sexualidade e identidade de gênero, questões já estarão inclusas nas próximas Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), Pesquisa Nacional de Demografia em Saúde (PNDS) e Pesquisa Nacional de Saúde (PNS).

O último Censo aconteceu em 2010, o de 2020 foi adiado devido à pandemia. Para evitar outro adiamento, o IBGE acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para recorrer a decisão.

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